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Com a dança, “Silêncio Branco” desnaturaliza a violência contra a mulher e o feminicídio

  • 01 jun 2022
  • Categorias:Geral

A violência contra a mulher triplicou nos últimos anos no Brasil, segundo dados do Painel de Dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos. É nesse cenário marcado pela dureza do real que a Ginga Cia. de Dança construiu o espetáculo “Silêncio Branco”, que está em circulação por Mato Grosso do Sul e foi apresentado em Corumbá, como parte da programação do 16º Festival América do Sul Pantanal (Fasp), no domingo (29).

A partir da dança, o trabalho dirigido por Chico Neller apresenta a dominação e a violência masculina sobre o corpo das mulheres em suas diversas formas. É um espetáculo bastante explícito e direto, que trata do tema de forma dura e impactante. “Diferentemente de outros trabalhos, nesse eu não quis criar uma obra aberta, como se espera de um trabalho de dança contemporânea. Estamos falando de algo muito real, muito triste e muito presente em nossas vidas”, comenta o diretor.

Sabendo de seu lugar de fala, Chico criou “Silêncio Branco” a partir de uma longa pesquisa, protagonizada por Gilbas Pive Junior. “Somos dois homens e isso por si só já cria uma série de problemas que tivemos que enfrentar para produzir essa obra”, explica. Além da pesquisa, Chico se abriu para ouvir as mulheres que participam como dançarinas. “Abri as portas e dei total liberdade, sempre tentei entender o que estava acontecendo do ponto de vista delas para poder levar ao palco um trabalho que desse voz a elas”, completa.

Apesar da dureza do tema, “Silêncio Branco” se constitui com muita beleza. Na trilha, nos movimentos, no desenho de luz, tudo busca explicitar a dor da violência de gênero. Mas isso é feito com uma poética que encontra na dança uma forma de expressão do belo. “É um paradoxo, lidar com um tema tão doloroso, tão horrível, mas apresentá-lo sob uma forma artística e poética”, explica. Talvez, justamente por isso, seja necessário ser tão cru e direto no conteúdo, pois se existe algo que o espetáculo não faz é estetizar a violência.

Texto: Thiago Andrade – Assessoria Fasp
Fotos: Marithê do Céu

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