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Defensor da música popular, Vinil de Moraes faz show em homenagem às festas de Corumbá

Com um repertório eclético, como é sua longa carreira, o músico Vinil Moraes, que nasceu Vinicius de Moraes Gonçalves Mendes, 40, apresentou um show dedicado a Corumbá que conhecera desde criança viajando pelos trilhos da antiga Estrada de Ferro Noroeste do Brasil. Ele subiu ao Palco da Integração do Festival América do Sul Pantanal, na sexta-feira (27), cantando sambas-enredos, ladainhas de São João e o cururu do mestre Agripino Magalhães.
“Quando fomos confirmados no festival, buscamos criar um repertório variado e especial, fizemos questão de cantar a música de Corumbá e do corumbaense. Não apenas para homenagear uma cidade pela qual tenho o maior carinha, mas mostrar para os outros países que a gente é Brasil”, disse Vinil Moraes, douradense “bugrado em Campo Grande e brasileiro-planetário no registro geral”, conforme seu perfil nas redes sociais.
Trilhando pelo caminho da defesa da cultura popular, em especial do seu Estado, o artista mostrou para o grande público do Fasp 2022 por que é uma referência de multiplicidade dentro da música sul-mato-grossense, somada às experiências rítmicas de outra paragens por onde andou – São Paulo, João Pessoa e Belém, mais por conta de sua profissão de advogado especializado em direitos autorais. O seu show é um sabor dessas vivências.
Cururu e São João
Da metade para o final do espetáculo, Vinil de Moraes brinda o público com uma seleção dedicada á Capital Cultural de Mato Grosso do Sul, abrindo com a marchinha de carnaval “Abre Alas”. Na sequência, canta com seu parceiro Tiago Cambará, corumbaense, a música que leva o nome da cidade com o refrão “Coisa de Bugre, Coisa de Nego, É Coisa de Pantaneiro”, ritmo forte sustentado pela impecável percussão da banda que o acompanhou.
O músico homenageia também o mestre cururueiro Agripino Magalhães, que morreu aos 101 em 2020, lembrando os versos singelos de suas músicas cantadas nas rodas de siriri, como “Marrequinha de lagoa/Tuiuiú do Pantanal/Marrequinha pega peixe/Tuiuiú já vem tomar”. A banda – percussão, sopro, guitarra e baixo – faz a marcação da ladainha na descida do andor de São João e Vinil canta o hino do ritual do banho do santo no Rio Paraguai.
Na despedida do palco, sob aplausos da plateia, o cantor faz um tributo ao carnavalesco Luiz Cambará, cuja família foi fundadora da Escola de Samba Imperatriz de Corumbá, que voltou a desfilar na Avenida General Rondon. “Aí Vem, aí vem/A Imperatriz/Saudando o Rei Negro/Desse Povo que é Feliz”, diz trecho do samba-enredo “Festa do Congado, Rei Negro Coroado”, vencedor do carnaval de 1974. Também lembrou o Bloco “Gente Boa Somos Nós”.

Texto: Silvio Andrade

Foto: Bruno Rezende

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